O que é “marketing pelo medo”?

,

Muitas empresas e profissionais escolhem apelar para a ingenuidade do cliente, ao invés de tentar fazer uma proposta de website justa. Apelando para a velha tática de propaganda através do medo.

Mas como identificar esse tipo de contato? Como reagir? Será que devemos responder? A pessoa realmente visitou e analisou o website?

Como acontece

Usualmente, mensagens são enviadas através de formulários de contato localizados nos sites dos clientes. Em raras ocasiões, ocorre o envio de mensagens para números de telefones listados na área de contato.

Inclusive, recomendamos a utilização de formulários de contato. Visto que listar seu email diretamente em um website torna toda essa situação (que chamamos internacionalmente de SCAM) muito mais simples e rápida, para o “atacante”.

Por que acontece?

O mercado está em constante expansão e manutenção. Uma empresa que nasce hoje pode se tornar uma mega corporação amanhã.

Com isso, a disputa para ser a empresa ou profissional que atendeu esse cliente na área digital aumenta. E, por ser um setor muito mais técnico do que criativo, os argumentos de venda se tornam um pouco limitados.

Existem diversas formas de se abordar um cliente.

Aqui, na Finepixel, por exemplo, utilizamos o bom e velho “Podemos fazer uma reunião, para que possamos apresentar nossa proposta?“. Se o cliente rejeita o convite, nós arquivamos o contato e nunca mais iremos importunar novamente.

Mas existem empresas e profissionais que optam por enviar emails do tipo “Seu website está em perigo!” ou “Seu website é horrível!” ou “Seu website nunca vai estar no Google, dessa forma!” e assim vai.

Isso acontece porque, de fato, o ser humano tende a direcionar sua atenção mais rapidamente para a eventos alarmantes, imperativos e/ou sugiram urgência.

Por que não devemos alimentar essa atitude?

Quando explicamos sobre o funcionamento de um website para um cliente completamente leigo, gostamos de fazer analogias com casas.

O domínio seria o endereço da casa. O IP seria as coordenadas (latitude e longitude). E o website seria a casa em si.

E, assim como uma casa real, quando tem algo de errado, podemos notar de forma clara.

Você recebe emails de encanadores, dizendo que, se não contratar eles, os vazamentos que existem em sua casa vão explodir e você vai morar na rua?

Ou, por exemplo, recebe emails de eletricistas, falando que sua casa está com irregularidades e que existe a possibilidade de risco de vida?

Não!
Porque, em uma casa, nós podemos ver o que acontece.

É possível ouvir a torneira pingando. É possível ver a parede húmida. É possível ver um equipamento que queimou, ao utilizar certa tomada. É possível ver a luz piscando sem parar.

Em um website, é o mesmo!

É possível entrar em sua página e verificar se tudo ocorre como você espera. Verificar a grafia de todos os textos. Verificar as edições de imagens. Verificar se o formulário de contato envia mensagens de forma correta pro seu email. Verificar se os arquivos para download realmente estão disponíveis. Se os vídeos estão funcionando. Tudo!

Esse tipo de atitude, onde o prestador de serviços se sujeita a assustar um potencial cliente com inverdades, também serve como uma enorme “bandeira vermelha”. Porque, de forma lógica, se o prestador de serviços mentiu para o cliente para conquistá-lo, irá mentir para mantê-lo.

Alguns exemplos reais

Caso 1: “Seu website tem erros!”

Boa noite, gostaria de sugerir que investissem maior cuidado para este site. Observei diversos erros de português já na primeira página, onde é descrita a associação. Também a maioria dos links dos cursos não está funcionando.

Quando um website é criado, a norma é que o cliente leia todo o conteúdo e aprove pessoalmente. Isso inclui a gramática!

O caso desse cliente, em específico, é de um website que possui área de anúncios.
Obviamente, os anunciantes não iriam cadastrar links que não funcionam. Além de todos os links e anúncios passarem por checagem humana, antes de serem mostrados no website.

E, ironicamente, essa mensagem contêm erros gramaticais!

Caso 2: “Seu website é feio!”

Este website está mal,não se pode ler tudo,e a tabela de preços então fica bem escondida;precisam fazer um website melhor,mais profissional! Aguardando quando seja possível ler as descrições dos tratamentos.

Repare que existe um padrão de gramática incorreta / informal, nessas mensagens.

A tabela de preços desse website encontra-se em um link no meu principal. Fácil acesso.

Usualmente, é necessário uma análise técnica bem detalhada. Antes de afirmarmos que “seu website está mal“.

Perceba, também, que foi utilizado o termo “website” que não é um termo comum entre usuários (mas comum entre técnicos e empresa).

Caso 3: “Seu website não existe na internet!”

Visitando o seu website, percebi que, embora ele seja muito bonito, ele não aparecia no Google, Yahoo ou Bing. E que as palavras-chave do seu website não representam o seu negócio. Nós podemos resolver isso e, seguindo as diretrizes do Google, podemos colocar você no topo das páginas de buscas!

Esse é um caso bem comum e muito interessante. Porque, de forma clara, o Google não divulga como, exatamente, eles classificam e reordenam websites.

O máximo que eles divulgam é uma lista de configurações que devem ser feitas, para que os algoritmos deles entendam o quê o website quer transmitir ao público.

E o melhor que o prestador de serviços pode fazer é especular para o cliente 200 possíveis fatores que podem impactar na performance do website (link em inglês).

Ou seja, com algumas pequenas excessões (design, conteúdo, configuração SEO, parcerias, etc), não existe muito o que o prestador possa controlar, em relação ao posicionamento de um website na internet.

Um outro ponto interessante dessa mensagem é que a pessoa afirma ter visitado o website. Mas não cita qualquer identificador único do mesmo. Como, por exemplo, a logo do cliente ou cores do website.

Como detectar rapidamente?

Aqui vão algumas dicas para não cair nesse SPAM!

A mensagem não foi solicitada

Existe uma grande diferença entre um usuário legítimo. Que realmente busca uma solução para uma dificuldade no uso do website e a propaganda: O usuário expõe, de forma clara, suas dificuldades (como ocorreu, qual página estava).
E, usualmente, o usuário que tem uma reclamação legítima possui um cadastro no website em questão.

A mensagem que não é legítima soa um pouco forte e forçada, também.
Imagine que alguém quer que você compre um casaco. Mas o vendedor escolheu vestir o casaco em você e falar “agora você tem que comprar“.

A mensagem não contém qualquer identificador único

Por padrão, essas mensagens não possuem qualquer informação sobre o website em si. É muito mais simples dizer “seu website é feio” e copiar a mensagem para 500 destinatários. Do que visitar cada website e dizer, por exemplo, “a logo na página de contato está desalinhada, em relação à página que apresenta o produto Portal EAD” (assumindo que o “problema”, de fato, existe).

O email não veio assinado por um domínio empresarial

90% dessas mensagens vem assinadas por um email pessoal (fulano@gmail.com) ou que não pode ser pronunciado (xkcdfx25a@seototalandeasyforyou.com).

Usualmente, não possui nome da empresa ou contatos para ambientes presenciais (telefones, endereços, etc).

O email solicita um orçamento, mas seu website não faz vendas

Uma tática alternativa é o envio de solicitações de orçamento. Se o seu website não vende produtos e/ou serviços (serve somente para comunicar algo ou para fazer uma vitrine simples de uma loja presencial, por exemplo), então tem algo de errado aí!

Emails parecidos em um intervalo de tempo muito curto

Reclamações muito semelhantes, com o mesmo padrão de raciocínio e em um intervalo muito curto de tempo (dentro da mesma semana,  por exemplo) são indicadores de que algo está errado. Principalmente, se você tiver feito uma checagem com o seu prestador de serviços e atestado que nada está fora do esperado.

A mensagem promete resultados sem que você gere conteúdo

Um dos tópicos que sabemos, com certeza, que afeta o posicionamento de um website é a criação de conteúdo exclusivo. Como essas mensagens podem prometer que o seu website irá subir nas listas, se você não vai criar conteúdo novo e relevante ao seu setor?

Promessas que não agregam valor

Promessas do tipo “cadastramos você no google“, “enviamos relatórios semanais sobre seu posicionamento“, “podemos atualizar seu website 5 vezes no mês” e “removemos qualquer robots.txt que esteja bloqueando seu website” são alerta vermelho.
Nada disso impacta no posicionamento e, muito menos, são operações complicadas.

O que fazer?

Agora você sabe como identificar mensagens indesejadas. Que buscam lucrar na insegurança pessoal do cliente.

E a solução é muito simples: Bom senso e comunicação.

Se você possui uma hospedagem de confiança, que se comunica com o cliente e sana dúvidas, então já tem a segurança de um serviço de qualidade. Basta abrir um ticket e perguntar a opinião deles.

Se possui um prestador de serviços disposto a ouvir e responder suas dúvidas, em relação a manutenção do website em questão, basta entrar em contato.

E deleta a mensagem.